29 novembro 2006


Tem movimento novo aqui dentro.

28 novembro 2006


Ficar ali parado como se não entendesse completamente.
Não ser simples, que simples não é nada.
Aprender a usar a modesta e nobre complexidade de dormir.

25 novembro 2006


Há dois modos de avaliar-se o que for belo: por interesse ou por paixão. A paixão, quando acesa de uma vez por todas, não dá lugar a outro interesse. Ela é radical, não quer comparações. A paixão é absoluta. Já o interesse pode ir-se como veio, sem qualquer outra razão maior do que ele mesmo. Prefiro a paixão, é claro, por ser incondicional e única. Tudo que for assim na vida é sempre mais verdadeiro. As minhas paixões me dão resposta integral àquilo que escuto ou que leio. Não vou gostar de uma coisa por me despertar interesse pela outra. Ou gosto ou não gosto. E diz-me então agora: amas, por acaso, alguém? Pois nesse caso o teu amor será o melhor do mundo, se bem não ser por isso que tu amas, quando amas. As outras considerações não valem, a não ser para nos distrair um pouco deste mundo, que, convenhamos, é coisa mais que boa.

03 novembro 2006


Nossos hábitos supõe uma maneira de acontecer das coisas, uma vaga coerência do mundo. Agora a realidade se afigura alterada, irreal. Quando um homem desperta (ou morre), tarda a se desfazer dos terrores do sonho, das preocupações e das manias da vida. Agora me custará perder o costume de encontrar-te tranqüilamente. Assisti, incrédulo, nossa conversa angustiadamente fluente, inevitável. Começo a acreditar, a partir deste fato, que as decisões solenes e definitivas, que traçam o relevante na linha do destino de nossas vidas, são bem menos conscientes do que acreditamos mais tarde, nos momentos de rememoração e lembrança.