31 janeiro 2007


Passei parte da minha infância sem sair de casa. Por carecer de amigos - muito porque minha mãe não deixava eles visitarem nossa casa a qualquer dia da semana-, minha irmã e eu inventamos dois companheiros imaginários, chamados, não sei por quê, de O Buda e Metro Quadrado. Quando nos cansamos deles, inventamos que eles tinham morrido de asma. Na época eu usava óculos, e eram como eu, um tanto frágeis. Eles foram quebrados várias vezes por meus amigos nas brincadeiras do colégio. Minha mãe decidiu me trocar de escola. Estudei durante quatro anos numa escola adventista de sétimo dia. Li a bíblia três vezes nestes quatro anos. Era obrigado a cantar no coral da escola, todas as terças e quintas por volta das 11h da manhã. Meu pai era quem preparava o lanche: um sanduíche de queijo e salame italiano, envolto em um paninho vermelho dentro de um saco plástico guardados hermeticamente dentro da mochila. Fui apelidado - justamente - de Sanduba. Vinte anos se passaram. Não uso mais óculos. Desaprendi toda cronologia das escrituras. Mas tenho guardado aquele cheiro do pão.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

frágil comedor de salame: adoro você.

14:56  
Anonymous Anônimo said...

Muito bom esse post!
Adoro aquele fazedor de sanduiches tambem!
Grande abraço
Mano

15:46  
Blogger Maria Lopes said...

onde vc esta?! será q nos encontramos no skipe no findi!? saudades. te amo. beijos. (finalmente parou de chover em Brasília. faz um calorzinho e tem um ventinho bom. e eu trabalho de 14 as 21. meleca. rs)

04:37  

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