30 agosto 2006


Ele consegue. Desafoga o tráfego, acompanha com passos calmos, se renova dentro da sua própria linguagem. Lenine virou ponto turístico do Brasil, patrimônio. Arrisco dizer que ele está para a música para como Carpeaux para a literatura. Num brasil tão carente de arte, ele é dublê da alegria, se acomoda nos cantos, deixa tudo andando no chão. Sorri e agradece. É objetivo na subjetividade da linguagem musical, marca pontos. Sabe pelo envolvimento e pelo coração. Obrigado, meu Caro. Força e luz! Pela contramão, na sua.
"... Alzira virada pra lua, rezando na igreja de São Ninguém, se o mundo for só de mentira, só ela acredita que existe além, que existe outra natureza que vem ocupar o lugar do fim... "

26 agosto 2006


Na história de Alice no País das Maravilhas, o Rei Vermelho pergunta à Alice: "O que você está vendo?", e Alice responde: "Nada". O Rei, impressionadíssimo, comenta: "Mas que olhos ótimos você tem!".

Num universo que caminha para a consumação, as visitas aos amigos se torna algo quase raro. Pessoas saem para encontrar desconhecidos. Conhecer pessoas é bom, obviamente. Mas para alguns, se transformou em algo que podemos comparar com a necessidade que outros tem em consumir medicamentos para enfermidade psicológica. Lastimável. Um sentimento que me faz balançar a cabeça em silêncio. É tão bom receber visitas! Comer pão com azeite, abrir garrafas de vinho, conversar, abraçar, emprestar a melhor toalha, relembrar momentos. E saber que hoje existe diferença grande entre aqueles velhos amigos, é, de certa forma, conhecer uma nova pessoa. Porque não? Agradeço as visitas dos bons e velhos amigos. Vocês são muito importantes.

22 agosto 2006


Felicidade também é algo difícil de lidar. Como diz o Serraria, “já retornei à luz, já visitei as trevas...”. Também já duvidei do Santo Sudário meu Caro, mas também sempre voltei. Atualmente tenho sentido falta das horas, preciso dormir. Felicidade desgraçada, pode ficar! Queria ter mais tempo para canalizar esta alegria incompreensível. Há mais de um mês ando rindo o dia todo. Riso de canto, de ladinho como se faz na cama pela manhã. Desencontro com a atualidade que nos cerceia. Como disse alguém: divino e profano. Como se felicidade fosse uma peça de roupa nova que vesti e não quero tirar da pele. Isso eu ainda não tinha sentido. Juro. Não faço parte de nenhuma religião, mas acredito em coisas alheias à minha vontade. E posso dizer que tem gente boa por aqui. Que a luz fique por aqui e que se faça a divisão com todos os meus. “Toca fumaça pro céu, toca sopapo pr’ogum, pipoca e bala de mel...”

11 agosto 2006


Eu não poderia deixar essa escapar. Tenho de avisá-los. Quem já não escutou o Lobão enxovalhando o Caetano Veloso? Às vezes ele exagera, mas é divertido ouví-lo falar com tanto desapreço no músico e compositor que adora fazer caras e bocas, enquanto canta de pernas cruzadas. Reconheço a importância do Caetano no cenário histórico musical brasileiro, mas para chegar ali, ele pisou em muita gente. E continua pisando. Gente dele! Atualmente ele insiste em se posicionar sobre coisas que ninguém quer saber . E opinia sobre todo e qualquer assunto. Fala como especialista sobre fabricação de sapatos e física quântica. Desimporta-se e esquece-se das opiniões alheias e de que existem pessoas que sabem mais do que ele. E sempre existirão, senhor Caetano... Desista de ser chato. Acho que ele perdeu-se definitivamente. Mas o que eu quero contar é o seguinte: A revista Cult deste mês traz na capa uma foto do bicudinho acompanhada da chamada "Pseudo-intectual de miolo mole." Isso não é uma maravilha?! Meus parabéns aos editores da revista. Acho que muita gente gostaria de poder dizer isso pessoalmente ao mano Caetano. Pena que ele mora longe. Meu respeito a quem ainda curte o Caetano.

02 agosto 2006


Um amigo, num desses dias em que se jogam conversas ao vento, me disse: “nada como um dia após o outro”. Meu pai respondeu: "frase feita". Pode ser, não sei. Mas fiquei pensando naquilo depois do banho quente de ontem, que me lavou até os ossos. Acredito que assim seguem-se todas as coisas. Maomé já foi dessa para outra, Nietzsche certamente se apaixonou um dia por uma mulher, Lars Von Trier, orgulhosíssimo, já deve pensado que seus filme são uma verdadeira bosta, Michelangelo já deve ter desperdiçado mármore e Dostoievski já amassou muito papel. Não importa nada disso. São os ciclos de todas as pessoas. Todas. A gente cansa sim, e tem vontade de dar soco mesmo às vezes. Não dou porque não sou bom de briga, e sei que também minha mão vai doer. Rápido como o sono, no outro dia acorda-se simplesmente feliz, vestindo branco, alegre com o frio e apreciando a chuva e as folhas secas. É minha hora de varrer o chão e passar um pano para tirar o pó do piano que silenciou. Amanhã saio para desencontrar-me das pessoas, porque o encontro marcado é comigo mesmo. Mas, muito em breve ligarei para elas novamente, convidando-as para a casa nova. Móveis novos, árvores diferentes e janelas que ainda me farão olhar para cima. Tem muito céu ainda, muito chão. Aprender coisas com a vida é como desaprender a ler. Não dá para voltar e desistir. Então vamos aprender! Estou aqui. Pode levar-me para outro lugar, pois onde há chão, é meu lugar também. Volto a escrever por aqui assim que a companhia de comunicação local instalar minha linha telefônica. Sorte para todos nós! Sempre.