
Um amigo, num desses dias em que se jogam conversas ao vento, me disse: “nada como um dia após o outro”. Meu pai respondeu: "frase feita". Pode ser, não sei. Mas fiquei pensando naquilo depois do banho quente de ontem, que me lavou até os ossos. Acredito que assim seguem-se todas as coisas. Maomé já foi dessa para outra, Nietzsche certamente se apaixonou um dia por uma mulher, Lars Von Trier, orgulhosíssimo, já deve pensado que seus filme são uma verdadeira bosta, Michelangelo já deve ter desperdiçado mármore e Dostoievski já amassou muito papel. Não importa nada disso. São os ciclos de todas as pessoas. Todas. A gente cansa sim, e tem vontade de dar soco mesmo às vezes. Não dou porque não sou bom de briga, e sei que também minha mão vai doer. Rápido como o sono, no outro dia acorda-se simplesmente feliz, vestindo branco, alegre com o frio e apreciando a chuva e as folhas secas. É minha hora de varrer o chão e passar um pano para tirar o pó do piano que silenciou. Amanhã saio para desencontrar-me das pessoas, porque o encontro marcado é comigo mesmo. Mas, muito em breve ligarei para elas novamente, convidando-as para a casa nova. Móveis novos, árvores diferentes e janelas que ainda me farão olhar para cima. Tem muito céu ainda, muito chão. Aprender coisas com a vida é como desaprender a ler. Não dá para voltar e desistir. Então vamos aprender! Estou aqui. Pode levar-me para outro lugar, pois onde há chão, é meu lugar também. Volto a escrever por aqui assim que a companhia de comunicação local instalar minha linha telefônica. Sorte para todos nós! Sempre.